Keira Knightley diz que o intenso escrutínio a que foi submetida quando era uma jovem atriz moldou sua carreira e a levou a se afastar deliberadamente da indústria. Agora com 41 anos, ela está na segunda temporada de “Black Doves”, da Netflix, e em uma adaptação teatral para o West End de “A Vida dos Outros”, histórias que tratam da vigilância.

Knightley tinha 16 anos quando filmou “Bend It Like Beckham” e 17 quando entrou para “Piratas do Caribe” e “Simplesmente Amor”. Vieram depois outros papéis de grande destaque, incluindo “Rei Arthur” e “Orgulho e Preconceito”, que lhe rendeu uma indicação ao Oscar. Ao mesmo tempo, paparazzi a seguiam por Londres, esperavam do lado de fora de sua casa e gritavam insultos para provocá-la.

Ela recordou a sensação de que a fama havia chegado de uma só vez. Segundo ela, fotógrafos chegaram a persegui-la até o consultório de seu terapeuta. Knightley tentou frustrá-los usando as mesmas roupas por vários dias ou ficando imóvel quando tiravam fotos. Ela foi se isolando cada vez mais e, aos 22 anos, teve o que descreveu como um colapso nervoso. Deixou a atuação por um ano e voltou com prioridades diferentes.

“Eu me afastei conscientemente”, disse Knightley, acrescentando que essa decisão moldou o rumo de sua carreira. Desde então, construiu uma vida profissional mais tranquila e diz ter orgulho de seu trabalho e de sua família, que formou com o marido, o músico James Righton, e as duas filhas.

Em “Black Doves”, Knightley interpreta Helen, uma espiã contratada que é casada com o primeiro-ministro britânico. A série retorna para uma segunda temporada, na qual Helen fica mais exposta depois que o marido assume o cargo. Knightley disse que isso aumenta os riscos, mas também limita o que sua personagem pode fazer. Ela se sentiu atraída pela falta de moralidade de Helen e pela maneira como ela separa a vida profissional da doméstica, e não por uma ligação pessoal direta com a personagem.

Knightley também interpreta a atriz Christa-Maria na adaptação teatral de “A Vida dos Outros”, sobre um agente da Stasi encarregado de espionar um dramaturgo e uma atriz. O diretor Robert Icke, que já havia trabalhado com Knightley em sua estreia nos palcos, em 2009, disse que achava que ela compreenderia a personagem e estaria disposta a interpretar alguém que se comporta mal.

Knightley descreveu Christa-Maria como uma sobrevivente que aprendeu a prosperar em um sistema corrupto. O papel levanta questões sobre se as pessoas podem permanecer fiéis a si mesmas quando as estruturas de poder e as regras estão sempre mudando, disse ela.

A produção marca o retorno de Knightley aos palcos após “Thérèse Raquin”, na Broadway, em 2015. Ela disse que passou a se sentir mais confortável com a incerteza das apresentações ao vivo: espera que um projeto dê certo, mas sente que consegue seguir em frente se isso não acontecer.

Embora Knightley preferisse ter evitado a humilhação e o escrutínio de sua fama no início da carreira, ela não se arrepende das decisões que lhe trouxeram aqueles papéis. Disse que faria as mesmas escolhas novamente e que não abriria mão dos filmes que resultaram delas.

Fontes: Folha Ilustrada.