O Duran Duran está de volta a Madrid para um concerto no Movistar Arena na sexta-feira, 6 de novembro. O membro fundador Nick Rhodes, 64 anos, falou numa videochamada sobre uma banda que vendeu 100 milhões de discos e que, décadas depois do seu auge nos anos 1980, continua a ser reivindicada por novas gerações. Disse que estava ansioso pelo espetáculo de Madrid.

Rhodes disse que o alinhamento incluirá os êxitos, porque 'isso já não é nosso, pertence à memória de muitas pessoas, é quase mais delas do que nosso'. Mas acrescentou que também tocarão canções mais recentes: 'Não somos uma banda tributo ao Duran Duran. Estamos juntos, estamos vivos, é incrível.'

A entrevista revisita a história turbulenta da banda. Em 1984, durante as gravações do vídeo de Wild Boys, o Duran Duran esteve perto de se separar. Realizado por Russell Mulcahy e inspirado em Mad Max e William S. Burroughs, o clipe tinha um orçamento de 1 milhão de libras. Simon Le Bon foi amarrado a um moinho rotativo sobre um tanque de água; quando este parou, ficou submerso e teve de ser resgatado por mergulhadores. Um ano depois, John e Andy Taylor saíram para formar uma banda de rock com Robert Palmer, cansados de serem a imagem do excesso dos anos 1980.

Reduzidos a um trio, o grupo lançou Notorious em 1986. Esperava-se amplamente, inclusive por parte da sua gravadora, que fosse um canto do cisne, mas a faixa-título tornou-se um enorme sucesso. Tinham pensado que Skin Trade seria o verdadeiro single, mas não conseguiu conquistar o público.

Em 1993, o álbum Duran Duran, com o mesmo nome da banda, reavivou-os. Continha Ordinary World, que continua a ser a sua canção mais reproduzida no Spotify. Sterling Campbell tocou bateria no disco; a sua relação com Marta Sánchez abriu a porta à imprensa cor-de-rosa espanhola para a banda. Em 2004, de volta como quinteto, lançaram Astronaut, um álbum que os devolveu ao centro da cena e estabeleceu padrões de qualidade que, segundo a entrevista, quase nenhum da sua geração manteve — talvez apenas os Depeche Mode ou os The Cure.

Rhodes mostrou-se menos otimista quanto às tabelas e à indústria. Disse que as tabelas são para artistas mais jovens e que o público e o sucesso do Duran Duran não estão aí, embora os EUA continuem a ser um enorme mercado para eles.

Argumentou que os anos 1980 continuam a funcionar porque foi uma década de individualismo. Na música, disse, Depeche Mode, The Cure, The Smiths, Prince, INXS e Madonna procuraram cada um uma identidade distinta, e soar diferente era um mérito. As tabelas atuais, disse, fazem-lhe lembrar os anos 1990, quando todos queriam ser iguais, com a mesma T-shirt branca, calças de ganga azuis e sapatilhas. 'Parece que algo é bom porque te faz lembrar de outras coisas. Deveria ser exatamente o contrário', disse. 'Só me sinto confortável com música que me deixa desconfortável, pelo menos um pouco.'

Descreveu o negócio da música como 'diabólico' e disse que está a piorar. Já era mau quando começaram, disse, mas agora é quase impossível ser autêntico. As gravadoras, argumentou, comportam-se como se estivessem a vender latas de sopa ou bolachas e não compreendem o desenvolvimento de artistas. 'Tudo é um produto e tudo tem a ver com ganhar dinheiro rapidamente', disse. Quando alguém na gravadora pergunta: 'Mas quais são os números nas redes sociais?', Rhodes diz: 'Sinto vontade de vomitar.' Acrescentou que não se importa com as métricas de redes sociais de nenhum artista, nem sequer com as do Duran Duran. 'Mostra-me uma boa canção, não que tens 37 milhões de visualizações na América do Sul', disse. Lamentou que grande parte do negócio gire agora em torno disso, do produtor do momento e de gravar com uma estrela de reality shows.

O Duran Duran esteve entre os primeiros a lançar um vídeo feito com IA, para a canção Invisible, em 2021. Rhodes disse que não usará IA para compor porque não precisa. 'Se tens talento, não deves temer a IA', disse. A máquina pode fazer coisas, mas um humano tem de lhe dizer o que fazer. Sugeriu também que grande parte do que existe é lixo de IA, pelo que não há necessidade de se sentir ameaçado.

Fontes: El País Cultura.