Vídeos de Mario lutando contra chefes de Elden Ring, misturas de jogos e títulos pagos rodando em navegadores da web evidenciaram como a inteligência artificial está mudando a descompilação de jogos. A tecnologia reduziu drasticamente o tempo e a experiência necessários para reconstruir o código de um jogo a partir do produto final, levantando novas preocupações com direitos autorais e cópias não autorizadas.
A descompilação é uma forma de engenharia reversa: programadores estudam um jogo ou aplicativo finalizado para reconstruir seu código. Tradicionalmente, o processo era trabalhoso e podia levar meses para equipes, mesmo no caso de jogos relativamente simples. Ferramentas de IA recentes tornaram possível produzir, em questão de horas, código semelhante ao original, às vezes com apenas um pequeno número de instruções.
A técnica pode servir a propósitos legítimos, como preservar jogos antigos cujo código-fonte foi perdido e apoiar mods ou expansões feitos por fãs. Mas também pode ser usada para copiar jogos sem permissão. Desenvolvedores independentes estão particularmente preocupados com a possibilidade de clones criados com auxílio de IA aparecerem rapidamente em lojas digitais depois que um jogo chama atenção.
O Kotaku noticiou recentemente que imitações do jogo independente Needle in a Haystack Simulator apareceram no Steam depois que vídeos de sua demonstração viralizaram. A desenvolvedora, Bitdot, adicionou um aviso destacado de “original” à capa do jogo. A Digital Sun Games, estúdio responsável por Moonlighter e Cataclismo, também alterou os planos de testes públicos de seu próximo jogo, ReVamp, em meio ao receio de que ele pudesse ser copiado.
Alguns projetos feitos com IA motivaram medidas legais porque combinam jogos protegidos por direitos autorais ou permitem jogar títulos pagos por meio de plataformas não autorizadas. A Epic Games removeu uma versão pirata de Fortnite que rodava no navegador, enquanto a Microsoft removeu adaptações para navegador de Minecraft, Call of Duty e Halo.
A Anthropic atualizou seu modelo Opus 5.5 com instruções criadas para impedir que ele recrie jogos existentes. A medida foi descrita como uma proteção temporária, já que usuários talvez consigam contornar essas restrições mudando a forma como formulam seus comandos.
A tecnologia também está despertando o interesse de publicadoras que buscam usos legítimos. A CEO do Xbox, Asha Sharma, anunciou o Xbox Labs no dia 13, uma divisão encarregada de estudar como esse tipo de abordagem poderia ser usado legalmente em grande escala. As mesmas ferramentas que podem acelerar o desenvolvimento de jogos e ampliar o acesso, observa a reportagem, também podem causar danos quando usadas para criar cópias não autorizadas.
Fontes: Folha Ilustrada.
