A Biblioteca Nacional de Espanha inaugurou em Madrid uma exposição dedicada a Luís de Camões, apresentando o escritor português como contraparte literária de Miguel de Cervantes. A exposição foi inaugurada na terça-feira pelo rei Felipe VI e pelo presidente português António José Seguro e estará patente até 14 de fevereiro de 2027, encerrando as celebrações do 500.º aniversário de Camões.
Estão expostas na Sala Recoletos da biblioteca 128 peças selecionadas entre mais de 300, sobretudo manuscritos e outros documentos do século XVI. A exposição explora como Camões e Cervantes ajudaram a transformar as respetivas línguas através da inovação literária, conduzindo-as a formas modernas.
Com curadoria de Aurelio Vargas Díaz-Toledo, professor de filologia românica na Universidade Complutense de Madrid, a exposição está organizada em quatro secções temáticas. Estas percorrem a narrativa nacional de Portugal, o clima intelectual que moldou Camões, o universo literário do poeta — com a sua epopeia de 1572, “Os Lusíadas”, no centro — e a sua influência ao longo dos séculos seguintes.
A exposição inclui primeiras edições das obras de Camões, livros de autores renascentistas como Petrarca e projeções relacionadas com as viagens portuguesas e espanholas. Apresenta também uma antiga tradução portuguesa de “Dom Quixote” que foi censurada, incluindo a cena em que Dom Quixote confunde o hálito de Maritornes com um perfume celestial.
A secção final acompanha a receção de Camões em Espanha, desde as traduções que, a partir do século XVII, procuraram integrá-lo no cânone literário espanhol até escritores posteriores de língua espanhola que se inspiraram na sua obra, incluindo Antonio Machado, Jorge Luis Borges e Antonio Muñoz Molina. Díaz-Toledo afirma que a exposição pretende dar a conhecer Camões a um público espanhol mais vasto e destacar as influências partilhadas que estiveram na origem do desenvolvimento da literatura espanhola e portuguesa.
Fontes: El País Cultura.